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Portugal Pés-a-Pés

Caminhámos com a alma no olhar, numa ânsia de tudo absorver, de arrecadar cada imagem deste nosso belo país. E desta vez metemos pés a um longo caminho.

Portugal Pés-a-Pés

Caminhámos com a alma no olhar, numa ânsia de tudo absorver, de arrecadar cada imagem deste nosso belo país. E desta vez metemos pés a um longo caminho.

Mesa dos Quatro Abades

 

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Cada trilho que percorremos deixa marcas nos nossos sentidos. Aromas, imagens, sons. “A mesa dos quatro abades” espera-nos, com os seus quatro bancos, na confluência de quatro das freguesias de Ponte de Lima. Contudo há um longo caminho a percorrer antes de com ela darmos. Sobe primeiro, já cansado, sob o sol  em terra batida, ao encontro dos garranos que nos vigiam, mergulhados num mar amarelo de aromáticos tojos e giestas, para logo de seguida nos receber com uma orquestra desenfreada de sapos e rãs num charco onde o verde se anuncia. E entramos então na frescura do Minho, entre carvalhos e bétulas, grandes tapetes esmeralda sombreados por faias imponentes. Quase espero ver sair um duende dos contos infantis do tronco de uma delas, tal é a magia que do bosque se desprende!... E não falta uma lagoa habitada por mais uma barulhenta comunidade de batráquios que saltam das margens e mergulham apressadamente ao som dos nossos passos!

 

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Caminho abaixo, o aroma das giestas é uma constante e o amarelo ilumina a paisagem, emoldurando, lá ao fundo, Vilar do Monte. Aí o tempo pára ao bater do meio-dia, num sonolento preguiçar, o ladrar de aviso dos cães corta o silêncio e as casas cheiram à paz da serra. Pairam no ar histórias de outros tempos, quando as horas eram maiores e os homens viviam ao ritmo do sol e ouviam a voz do vento. Passa por nós um sopro dessa época preso no tropel de um rebanho de cabras e na saudação do seu pastor, no olhar inquiridor de uma cabrita mais curiosa e na porta aberta de um curral que espreita a rua.

 

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Depois de várias dúvidas e hesitações por escassa marcação do percurso, lá nos sentamos à mesa, dois dos abades apenas, que os outros estão de folga. Para logo de seguida nos esfalfarmos monte acima, galgando curvas de nível que se empoleiram umas nas outras, sempre rodeados do infindável amarelo e mergulhados no silêncio cortado ora agora ora mais logo pelo chamado do cuco, na procura de ninho alheio onde deixar os seus ovos. E temos por fim, mais de perto, a visão das curvas do Lima ziguezagueando entre campos e matos, contemplado do alto do Penedo Branco no miradouro da Vacariça.

 

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 E fica para trás, namorando as terras do Lima, mais um caminho de luz e de sombra, de vozes e de silêncios, de folhagens e cair de água. Mais um caminho de gente que por aqui passou e de quem o tempo já se esqueceu.

 

 

Todas as Fotos

Mapa do Percurso