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Portugal Pés-a-Pés

Caminhámos com a alma no olhar, numa ânsia de tudo absorver, de arrecadar cada imagem deste nosso belo país. E desta vez metemos pés a um longo caminho.

Portugal Pés-a-Pés

Caminhámos com a alma no olhar, numa ânsia de tudo absorver, de arrecadar cada imagem deste nosso belo país. E desta vez metemos pés a um longo caminho.

Redondelo a Tazém - 2ª Etapa

 

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Se em Redondelo terminámos aí voltámos hoje para retomar a nossa procura de recantos e caminhos menos divulgados deste nosso pedaço de terra na ponta da Europa. Grossas nuvens de plúmbea cor, ainda que conferindo uma beleza invernosa à paisagem, ameaçavam o nosso conforto na caminhada, mas não passaram de uma sombra no horizonte, porque logo o sol, rompendo a neblina a este, se elevou no céu, dissipando a pouco e pouco a bruma que ainda teimava em envolver a paisagem em branco véu.

 

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Por entre castanheiros apontando ao céu os seus braços despidos, o casario ainda dorme e apenas o trinado de pássaros que se desafiam e o có-có-ró-có do despertador de Rebordondonos marcam o ritmo do dia que se levanta. Ao longe o aviso de um cão rompe o silêncio e o zurrar de um burro fala-nos de Trás-os-Montes.Um caminho de terra afasta-nos por algumas centenas de metros da M533, para nos mostrar a beleza rude e pura dos campos ainda húmidos da chuva. Anelhe desembaraça-se da névoa que, subindo do rio, a enlaça e esconde dos olhares mais afoitos enquanto Souto Velho se atravessa no caminho que nos leva à ponte junto da praia do Tâmega. Já na R311 rumámos a Vidago, e é nas ruelas da vila que a calma rotina diária nos fala da pacatez da vida que ainda existe, amodorrada no morno sol de inverno. Monotonia? Chamar-lhe-ia paz. Por alguns metros seguimos a N2 mas logo a trocamos pelo cheiro a terra molhada e pelo madeiro meio queimado que ficou do Natal num largo de Vila Verde, frente à fachada imponente de um edifício que murmura memórias de outro milénio. E dos terrenos que ladeiam a estrada que se dirige a Vila do Conde há burros se aproximam, num pedido mudo de um afago, de uma voz no meio do silêncio que os deixa sós.

Depois do farnel num largo acalentado pelo sol em Vila do Conde procurámos o aconchego de uma chávena de café no Café do Paulo, onde um aperto de mão nos recebe e nos envolve na hospitalidade tipicamente transmontana. E, acreditando que os 11 kms que ainda faltam serão ultrapassados com uma perna às costas, lá entramos numa estradinha que nos arrasta monte acima até Cubas, oferecendo-nos a cada passo mais uma curva de nível que nos alarga o horizonte. E neste povoado uns apanhadores de azeitona olham-nos com ar de dúvida quando lhes perguntamos se o caminho de terra que agora encetamos nos levará a Frutuoso…Meia hora atrás o meu pai fizera a mesma pergunta e eles haviam-no dissuadido de seguir por ali de carro. Desafiámos a subida que nos deixava sem fôlego e ela brindou-nos com uma paisagem de cortar a respiração! Montes e serras fundiam-se em tons de cinza na linha do horizonte num arco de 180 graus, polvilhados de pequenos povoados que surgiam de detrás das encostas à medida que nos aproximávamos da linha de ventoinhas encimando a serra da Padrela. Em 4 kms passámos de uma altitude de 430 metros para 1120! Castanheiros centenários acompanharam a nossa ascensão emoldurando a paisagem e cederam a vez a jovens soutos que, com Padrela à nossa esquerda nos deixaram por fim no final de mais uma etapa, Tazém. Tazém nos espere em breve!

 

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Xironda a Redondelo - 1ª Etapa

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De uma fronteira das rotas do contrabando partimos, em demanda de Vilar de Perdizes.
O rio Porto de Rei Búbal, água de transparentes segredos, adoçou a brancura gelada que até aí cobrira os campos. Ainda mal acordado o povoado viu-nos passar e a M508 guiou-nos até Meixide.
A luz do sol, mornos raios numa dança fronteiriça, levava-nos a olhar para trás, para vermos num filtro dourado a cumeeira ornamentada de ventoinhas, a zona raiana e Vilar de Perdizes que se afastavam, agarradas na paz outonal.
Em Meixide deixamos, desfiando memórias ao calor do sol, os homens da terra, saudosos do forno comunitário e da azáfama de outros tempos e tornamos nossa a rua da Laborada que nos levará a Ardãos. Por entre as penedias elevam-se castanheiros, ouro contra o cinza das rochas, desafiando a agrura dos solos e do ar. A montanha, já perto do lugar, vai cedendo terreno aos campos de cultivo, dádiva da natureza ao esforço do homem.
Em Ardãos somos alvo da hospitalidade transmontana: uma garrafa de vinho "ainda mal cozido", um café acabado de tirar, são ofertas saídas da vontade de se dar. E é já com o sol a caminhar para a noite que passámos NogueiraBobadela, vislumbramos Sapelos e, entre o bulício da N103, ganhamos Redondelo. Com os olhos cheios de bucólicos recantos e a vontade arreigada de continuar caminho. Mas não hoje porque 30 Kms já pesam nas pernas...
 
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