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Portugal Pés-a-Pés

Caminhámos com a alma no olhar, numa ânsia de tudo absorver, de arrecadar cada imagem deste nosso belo país. E desta vez metemos pés a um longo caminho.

Portugal Pés-a-Pés

Caminhámos com a alma no olhar, numa ânsia de tudo absorver, de arrecadar cada imagem deste nosso belo país. E desta vez metemos pés a um longo caminho.

Brandas e socalcos de Sistelo

O pequeno Tibete Português

 

 

 

Deixamos Sistelo com as suas varandas ornadas de flores que se oferecem aos beijos do sol matinal. E embrenhamo-nos no caminho que se escondeu por baixo das ramadas e que  murmura histórias de tempos idos aos caminhantes que o querem ouvir. Vemos já na distância os socalcos uns nos outros empoleirados, numa harmonia que só aos deuses pertence, espreguiçarem-se sobre o caminho. Este carreiro segue entre muros que não se lembram já das mãos que lhe empoleiraram as pedras, percorrido por água que o torna quase um ribeiro, escorregadio mas fresco e belo. No lugar de Padrão não há horas, nem tempo; a vida corre ao sabor dos olhos que lembram o passado e reflectem a saudade de quem aqui não está.

Até à Branda do Alhal as curvas desafiam-se numa subida sob a inclemente luz do sol e nos sulco do empedrado gemem ainda as rodas dos carros de bois que há tempos os não visitam…

 

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Surge por fim um planalto onde os campos e pastos se dispõem de tal maneira que geometria é apenas um conceito abstracto! Como se tivessem sido semeados dos céus estão limitados por pedras e árvores, e cancelas nascidas de fecunda imaginação fecham-nos nos seus espaços. É a Branda do Alhal, que logo deixamos serpenteando com o caminho pela cumeeira da serra. Depois de um refúgio de frescura num bosque que esconde o caminho iniciamos a descida. A carcaça de um bovino fala-nos da lei do mais forte, da solidão e da luta pela sobrevivência. E de lobos. O trilho corre agora monte abaixo, a encosta à nossa esquerda despenhando-se no Rio do Outeiro lá no fundo enquanto que na encosta oposta um fio de água se lança pela ravina para se deixar de seguida flutuar docemente em pequenas lagoas.

 

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É o Minho em toda a sua imponência, a agrura da pedra e a suavidade dos pastos, a crueza do sol e a doçura das águas, o verde das montanhas e o azul do céu.É o canto do silêncio e o silêncio dos chilreios. É a voz das gentes e a alma da serra. Sentimo-los neste caminho que nos leva de volta a Sistelo, nesta cascata de socalcos que parece deslizar para o fundo da terra, sem nunca sair do lugar.

 

 

  • Tipo: Circular
  • Distância: 10 km
  • Nível de dificuldade: Médio
  • Altitude máxima: 801 m ; Altitude mínima: 268 m; Desnível: 533 m

 

Mapa do Percurso

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