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Portugal Pés-a-Pés

Caminhámos com a alma no olhar, numa ânsia de tudo absorver, de arrecadar cada imagem deste nosso belo país. E desta vez metemos pés a um longo caminho.

Portugal Pés-a-Pés

Caminhámos com a alma no olhar, numa ânsia de tudo absorver, de arrecadar cada imagem deste nosso belo país. E desta vez metemos pés a um longo caminho.

Noura a Mondego - 4ª Etapa

Talvez Noura seja um nome que nada diz a uma grande parte das pessoas mas, para nós, é mais um canteiro do variado jardim que é Portugal. Trás-os-Montes tem uma infinidade destas pedras raras, surgindo numa qualquer curva da estrada, aparecendo ao nosso olhar depois de ultrapassar mais uma curva de nível. E conseguem surpreender-nos sempre, com o seu ar lavado de orvalho e os seus sons rompendo a calma que as preenche.

 

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A simplicidade das cepas alinhadas sobre a terra nua, o misticismo de uma torre sineira, ou ainda o grito escaldante de uma papoila entre a poeira do xisto são palavras que a vida sussurra à nossa passagem e os olivais ladeando a estrada falam do seu apego à terra.

Desta vez escolhemos caminhos de terra que se afastam da estrada, embrenhando-se no monte e que nos deixam frente a recantos que de outro modo não veríamos, como um turbulento regato que se lança desenfreadamente monte abaixo não olhando a  meios para alcançar a curva espraiada que o aguarda entre o arvoredo ainda de tenro verde, passando logo a seguir sob uma ponte rudimentar que se molda à paisagem. E arriscamos depois o desvio do caminho que mais adiante se perde entre as giestas que entretanto o dominaram, levando-nos a dividir o nosso olhar entre a procura do trilho e o talhado dos montes contra o azul que pintou o céu. Uma aldeia encalhada no monte, um sobreiro impondo a sua figura sobre o caminho e o trilho que brinca às escondidas connosco fazem parte deste universo de seiva e luz. Adiante, trabalhando a terra, homem e animal partilham uma conversa em que um fala e outro ouve, um ordena e outro cumpre, sem nunca esquecerem que dali vem o seu viver.

 

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São poucas as povoações que hoje deixamos que atravessem o nosso caminho. Castorigo, Carvalho e Vila Chã abrigam poucas dezenas de habitantes. Ficaram os mais velhos, falando dos filhos que debandaram em busca de maiores horizontes. E tratam a terra, oferecendo-lhe o seu suor em troca da sua protecção.

A água surge de novo no nosso caminho, sob a forma de uma barragem agora. Barragem de Vila Chã. Espelho estendido entre arvoredo, riqueza líquida escoando-se por um canal que o homem construiu, banhando árvores de um verde intenso que escolheram o vale para viver. E nuvens de pólen escapam-se dos pinheiros, véu amarelo que esvoaça no céu numa dança de fertilização.

 

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E o nosso caminho de hoje aproxima-se do fim atravessando vinhedos, serpenteando entre quintas e quintais, preparando já a nossa imaginação para a beleza perfilada de milhares de cepas que se estendem a perder de vista pelas encostas do Douro. Mas hoje paramos mesmo por Mondego

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